SINDROME PÓS POLIOMIELITE

22 novembro 2014

I SIMPÓSIO DE DOENÇAS NEUROMUSCULARES DO HCFMB - Doença do Neurônio Motor/ Esclerose Lateral Amiotrófica



Aconteceu hoje no salão nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu o I SIMPÓSIO DE DOENÇAS NEUROMUSCULARES DO HCFMB - Doença do Neurônio Motor/ Esclerose Lateral Amiotrófica realizado pela NUCADE-RH sob coordenação de ROSANA JIMENES PAVANELLI e DANIELA RODRIGUES BARROS GIACOBINO.
Direcionado aos familiares, profissionais envolvidos e interessados no tema, o simpósio teve como objetivos promover a atualização das técnicas, abordagens, e conhecimentos dos profissionais da saúde; disseminar informação acessível e atualizada dos cuidados com o paciente e de todos envolvidos com o cuidado; propor padronização de tratamento médico e multiprofissional para serviços de referência do Sistema Único de Saúde (SUS); discutir e propor o perfil epidemiológico da ELA no Estado de São Paulo e estratégias para futuros estudos multicêntricos.
O evento contou com a presença Prof. Dr Acary Souza Bulle Oliveira - Neurologista Responsável pelo Setor de Investigação em Doenças Neuromusculares da UNIFESP/EPM, Diretor Fundador da ABrELA e atual Presidente do Conselho Deliberativo da ABrELA; Prof. Dr Abrahão Augusto J. Quadros; Profª Élica Fernandes - Assistente Social Mestre em Neurociências pela UNIFESP; Drª Ana Paula de Oliveira Ramos - Doutora em Clínica Médica pela Unifesp; Enfº Silvio Fernandes Pereira - Paliativista e Intensivista, Hospital São Paulo/UNIFESP; Ft. Simone Goncalves de Andrade Holsapfel - Fisioteraputa Respiratória Especialista em Doenças Neuromusculares; Profª Cristina Cleide dos Santos Salvioni - Nutricionista - Mestre em Neurociências pela UNIFESP; Profª Rosinete da Silva - Pós Graduada em Fonoaudiologia em Neuro reabilitação/Mestranda; Profª Drª Ft. Marcia C. Bauer Cunha - Doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP-EPM; TO. Sílvia Junko Nakazune - Terapeuta Ocupacional graduada pela USP, Especialista em Reabilitação Física pela Unifesp; Profª Psicologia Ana Luiza Steiner - Mestre em psicologia clinica pela USP , doutoranda pelo Departamento de Psiquiatria da UNIFESP.

03 setembro 2014

A SÍNDROME PÓS-POLIOMIELITE (SPP)

O Instituto Giorgio Nicoli ajuda pessoas acometidas pela poliomielite e SPP (Síndrome Pós-Poliomielite). Atua incentivando pesquisas, divulgando novos tratamentos e facilitando o processo de reabilitação dos pacientes com Doenças do Neurônio Motor (DNM), especialmente aqueles com SPP. Sugere um novo olhar sobre a doença e estimula o tratamento mais humano para que os acometidos pela SPP valorizem a vida.

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26 agosto 2014

SÍNDROME PÓS-PÓLIOMIELITE

A Poliomielite foi um dos maiores flagelos da população de todo o mundo neste século, não apenas pelas diversas vidas abreviadas por sua causa, mas porque criou uma população de crianças e adultos jovens com seqüelas e incapacidades variadas. Sua distribuição foi global, tendo apresentado epidemias de grande monta em todos os continentes independentemente do grau de desenvolvimento social e econômico.

O vírus da poliomielite é de distribuição universal, não existe animal que desenvolva o quadro de infecção ou que sirva de reservatório, assim, tudo indica que o homem é seu único hospedeiro. A infecção ocorre por via oral, quando da ingestão de água ou alimentos contaminados. A transmissão é mais comum nas regiões de pior controle sanitário, estando claramente associada, nos dias de hoje, às condições sanitárias locais e ao nível sócio-econômico. A vacinação em massa se mostrou como um método eficaz de erradicação da doença na América, onde a transmissão inexiste desde 1994.

A infecção aguda pelo vírus da poliomielite pode se manifestar desde quadros assintomáticos, passando por quadros gripais, intestinais, meningite asséptica e sua forma paralítica aguda. A paralisia causada pela poliomielite é, caracteristicamente, assimétrica, flácida e pode acometer centros bulbares de controle da respiração, causando insuficiência respiratória. Cerca de 1% das infecções pelo vírus resultam em quadro paralíticos agudos.

Após a instalação do quadro paralítico, a evolução da doença é para uma recuperação natural da força num período de 2 anos. O que se observa neste período é um gradativo aumento da capacidade funcional, particularmente em membros inferiores, sendo comum os pacientes que deixam de lado o uso de órteses e outros métodos de auxílio à marcha. Essa fase de recuperação é seguida de estabilidade funcional, na qual o paciente não nota ganho ou perda frente a suas incapacidades.

 PÓS-PÓLIO
Desde o século passado existem relatos de pacientes com antecedentes de poliomielite que após o período de estabilidade desenvolvem nova fraqueza no membro afetado e, eventualmente naqueles membros não acometidos. Em meados dos anos 70, pacientes vitimados pela poliomielite começaram a notar que essa nova fraqueza não era uma curiosidade médica, mas sim um achado freqüente e cunharam o termo Síndrome Pós-Pólio para definir esse novo conjunto de sintomas tardios da doença.

Logo após a descrição da doença, uma grande leva de pacientes com sintomas diversos começou a surgir, criando alguma confusão quanto ao que seria realmente essa nova síndrome.
A definição atual da síndrome pós-pólio inclui alguns critérios diagnósticos:
• quadro prévio de poliomielite
• período de estabilidade funcional de ao menos 15 anos
• nova fraqueza em membro previamente acometido ou não
• fadiga
• dor no aparelho locomotor
• ausência de outras doenças que expliquem a ocorrência dos sintomas


 ORIGEM DA SÍNDROME
Sabe-se atualmente que a origem dessa nova fraqueza e fadiga não se devem a uma reativação viral, mas sim à uma sobrecarga dos músculos e nervos relacionados ao segmento do corpo que foi acometido pela paralisia. Assim, por exemplo, um paciente que ficou com fraqueza na coxa direita e não consegue estender seu joelho direito de forma adequada, mas continua andando sem aparelhos ou bengalas está mais propenso a desenvolver fadiga local e nova fraqueza.

A dor articular é explicada pelo desarranjo de forças musculares e sobrecarga local que ocorre em virtude de suas tentativas de compensação. O paciente pode apoiar-se sobre um membro de forma inadequada ou realizar movimentos anômalos, causando tensão nas articulações e músculos, que se tornam fontes de dor.

A fadiga é explicada pela dor, a fraqueza, tipos de personalidade e acometimento de certas estruturas do sistema nervoso central que são responsáveis pela atenção e concentração.

 DIAGNÓSTICO
O diagnóstico desta síndrome é clínico, ou seja, não existe exame laboratorial que comprove o que o paciente tem. O médico deve tomar como base apenas os relatos do paciente de perda de força e fadiga.

 TRATAMENTO
O tratamento da síndrome pós-pólio deve ser multidisciplinar. Ao médico cabe o diagnóstico da síndrome e o tratamento de doenças associadas que podem estar complicando o quadro (respiratórias, cardíacas, anemia entre outras), a prescrição de órteses, e medicamentos que possam melhorar a capacidade funcional também são da sua responsabilidade, assim como o acompanhamento da evolução do paciente.

O controle da dor pode ser realizado por uso de calor, frio, correntes elétricas e medicamentos, mas a fisioterapia incluindo exercícios físicos de alongamento é fundamental.

A terapia ocupacional, instruindo técnicas de economia de energia, é de grande valia para evitar fadiga. O condicionamento físico, seja por natação, caminhadas ou bicicleta ergométrica também aumenta a capacidade funcional do paciente.

Finalmente, é fundamental deixar claro para o paciente que uma nova estruturação de horários e tarefas diárias é necessária, com o fim de reduzir seu gasto de energia. Períodos de repouso são recomendados no meio da manhã e da tarde, e uma parada para dormir é indicada após o almoço.

O tratamento deve ser sempre complementado com outras formas de redução do gasto energético, tais como uso de bengalas e muletas, aparelhos ortopédicos e locomoção com veículos motorizados.

Observa-se que o segmento desses princípios de tratamento resulta em ganhos funcionais satisfatórios, mostrando que mesmo este efeito tardio da poliomielite pode ser compensado, quando bem estudado do ponto de vista clínico.

A síndrome pós-pólio é um exemplo de que a incapacidade adquirida não deve ser encarada nunca como algo estável e imutável. O envelhecimento e o avanço de deformidades deve ser sempre seguido por um profissional médico de reabilitação com o objetivo de antever essas complicações e tratá-las antes que surjam de forma efetiva. 

Fonte: Texto produzido pela DMR-Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

12 julho 2014

Ambulatório Neuromuscular da UNIFESP

O Ambulatório Neuromuscular da Unifesp (Hospital São Paulo), é considerado Centro de Referência Nacional para investigação e acompanhamento de doenças neuromusculares. 
O Ambulatório de Neuromuscular atende desde 1985, e é considerado Centro de Referência Nacional para investigação e acompanhamento no tratamento de doenças neuromusculares.
É pioneiro em atendimento com equipe mutidisciplinar, ou seja, além da equipe médica, inclui fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais e outros. Estes profissionais são especializados na área, e, em sua maioria, estão vinculados a projetos de pesquisa ou prestam serviços voluntários.
Mensalmente são atendidos 1600 pacientes.

Está localizado na Rua Estado de Israel, 899 - Vila Mariana - São Paulo - SP, telefone: (11) 5571-3324. Observe os dias de atendimento de acordo com a sua necessidade.
Saiba como proceder para ser atendido:

Marcação da primeira consulta:

  • Encaminhamento médico de qualquer serviço de saúde público ou privado (SUS, convênio, particular)
  • Cartão Nacional de Saúde (CNS) ou exame que comprove a doença
  • Horário de atendimento: das 9 às 15 horas, às segundas, quartas e sextas-feiras, pessoalmente ou pelo telefone: (11) 5571-3324

Marcação de consultas:

  • Horário de atendimento: das 9 às 15 horas, às segundas, quartas e sextas-feiras, pessoalmente ou pelo telefone: (11) 5571-3324

Relatórios, laudos, receitas:

  • Solicitação com 10 a 15 dias de antecedência:
    das 9 às 11 horas, às segundas, quartas e sextas-feiras, pessoalmente ou pelo telefone: (11) 5081-4524
  • A retirada de documentos é feita somente com agendamento prévio.
  • Às terças e quintas-feiras não há atendimento para este serviço.

Receitas para Medicação de Alto Custo (SME):

  • Solicitação com 25 a 30 dias de antecedência:
    das 9 às 11 horas, às segundas, quartas e sextas-feiras, pessoalmente ou pelo telefone: (11) 5081-4524
  • A retirada de documentos é feita somente com agendamento prévio.
  • Às terças e quintas-feiras não há atendimento para este serviço.


Todos os pedidos são agendados de acordo com o Ministério da Saúde, portanto, para um melhor atendimento, observe e respeite os horários acima.


23 junho 2014

Vírus causador da poliomielite é encontrado no Brasil, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, nesta segunda-feira, 23, a detecção no Brasil do vírus causador da poliomielite. O poliovírus selvagem tipo 1, um dos sorotipos causadores da doença, foi encontrado em amostras coletadas em março no esgoto do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
A amostra é semelhante à coletada recentemente em um caso isolado registrado na Guiné Equatorial. O risco de contaminação é considerado “alto” no país, enquanto que no Brasil, a OMS avalia as chances de o vírus se espalhar internacionalmente como “muito baixa”.
A poliomielite, que causa a chamada paralisia infantil em crianças com menos de cinco anos, foi erradicada no Brasil em 1989. O número de casos em todo o mundo caiu 99% desde 1988 devido ao grande esforço dos países em combater a doença. Contudo, a OMS decretou, em maio de 2014, estado de emergência de saúde pública no Afeganistão, Iraque e Guiné Equatorial.
O Ministério da Saúde acompanha a situação epidemiológica da poliomielite no mundo e mantém o controle da erradicação da doença com coberturas vacinais superiores a 95%. Desde 1990, não há circulação de poliovírus selvagem da poliomielite no Brasil, resultado das políticas de prevenção e vigilância adotadas pelo governo federal. Em 1994, o Brasil recebeu o certificado emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de erradicação da poliomielite.

Embora a doença tenha sido erradicada do Brasil, alguns países continuam detectando casos de poliomielite, como Síria, Paquistão, Afeganistão, Guiné Equatorial, Etiópia, Iraque, Israel, Somália e Nigéria, entre outros. Esta situação levou a OMS a declarar emergência mundial para garantir a mobilização de recursos e apoio internacional capazes de garantir que a erradicação global da doença seja alcançada.

O cumprimento da meta de cobertura vacinal para a doença há várias décadas garante a proteção do país contra a recirculação de poliovírus, que pode ser trazido por viajantes internacionais. Além disso, o Ministério da Saúde realiza, em parceria com estados e municípios, vigilância ativa de todos os casos de paralisia flácida aguda (PFA) em menores de 15 anos de idade, investigando cada notificação em até 48 horas e realizando coleta de fezes para pesquisar qual o agente etiológico causador. Como as PFAs podem ser causadas por diferentes tipos de vírus, entre eles o da poliomielite, esta vigilância fornece a segurança para que o país continue livre da circulação do poliovírus, pois qualquer reintrodução seria rapidamente detectada.

Em alguns países é recomendada, além disso, a pesquisa de poliovírus no meio ambiente, especialmente onde a cobertura vacinal é baixa e a vigilância não é adequada.  O Brasil não se enquadra nesta situação, não havendo, portanto, recomendação para realização sistemática desse monitoramento do poliovírus no meio ambiente.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) participou do Programa de Colaboração com a OPAS de Erradicação da Poliomielite no Brasil, realizando o monitoramento ambiental entre 1973 e 1989. Com a eliminação da poliomielite no país, este monitoramento deixou de ser obrigatório. Desde 1999, no entanto, a Cetesb realiza esta pesquisa, junto com o monitoramento para outros agentes etiológicos no meio ambiente, em colaboração com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Atualmente, mantém 10 pontos de coleta rotineira de esgoto para monitoramento.

Em 17 de junho de 2014, o Ministério da Saúde recebeu do laboratório de enterovírus da Fiocruz a confirmação de que foi isolado vírus selvagem da poliomielite pela Cetesb em amostra coletada em março de 2014 no esgoto sanitário do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).  No mês de abril de 2014, os resultados do monitoramento de todos os pontos, inclusive no aeroporto de Viracopos, foram negativos, portanto, o resultado encontrado no mês de março foi um fato isolado, evidenciando que não há circulação do poliovírus selvagem na região.  Os dados foram enviados para o laboratório global de referência da OMS para a poliomielite, tendo sido confirmado que o poliovírus é originário da Guiné Equatorial.

É importante esclarecer que esse achado não significa qualquer mudança na situação epidemiológica do Brasil ou ameaça à eliminação da doença. O Ministério da Saúde reforça a importância de manutenção da cobertura vacinal adequada e da vigilância ativa para todos os municípios. Com o aumento dos deslocamentos internacionais, é esperado que pessoas portando agentes infecciosos presentes em outras partes do mundo circulem no Brasil.

O Ministério da Saúde reitera, ainda, que todos os profissionais de saúde e a sociedade em geral continuem a estimular a participação efetiva nas ações de imunização em todos os municípios, tanto na vacinação de rotina, que deve ser realizada de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Saúde, como na Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite que acontecerá no segundo semestre de 2014.